terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Análise de cabelo diz que Napoleão não foi envenenado

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Napoleão foi envenenado? Por décadas, acadêmicos e cientistas argumentaram que o ditador exilado, que morreu em 1821 na remota ilha de Sta. Helena no sul do Atlântico, teria sido vítima de arsênico, por acidente ou assassinato.

A teoria de assassinato sustentava que seus captores britânicos o haviam envenenado; a teoria do acidente dizia que o papel de parede de seu quarto continha uma tintura baseada em arsênico que, embolorada, transformou-se em gases venenosos.

As evidências por trás das duas teorias era a de que cientistas teriam encontrado arsênico no cabelo de Napoleão, o que diminuía a idéia de que sua morte havia sido por câncer no estômago. O arsênico é altamente tóxico, e seus sintomas de envenenamento incluem fortes dores estomacais.

“Não há nada de improvável na hipótese do envenenamento por arsênico,” escreveu Frank McLynn em "Napoleon: A Biography" (Arcade, 2002). “A ciência dá a ela bem mais do que asserção garantida.”

Mas agora, um time de cientistas do Instituto Nacional de Física Nuclear nas universidades de Milan-Bicocca e Pavia descobriu fortes evidências do contrário. Eles conduziram uma análise detalhada de cabelos retirados da cabeça de Napoleão em quatro momentos de sua vida — quando garoto em Córsega, durante seu exílio a ilha de Elba, no dia de sua morte em Sta. Helena, aos 51 anos de idade, e no dia seguinte — e descobriu que os níveis de arsênico não sofreram grandes diferenças.

Arremessando uma rede ampla, os cientistas também estudaram cabelos de seu filho, Napoleão II, e sua esposa, Imperadora Josephine. Aqui, também, eles encontraram níveis de arsênico muitos similares e uniformemente altos.

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A grande surpresa foi que os antigos níveis eram cerca de 100 vezes maiores do que leituras obtidas dos cabelos de pessoas vivas.

“As concentrações de arsênico no cabelo de Napoleão depois de sua morte eram muito maiores,” dizem os cientistas. Mas os níveis eram “bastante equivalentes àqueles encontrados não só no cabelo do imperador em outros períodos de sua vida, mas também em seu filho e sua primeira esposa.”

Os resultados, eles acrescentam, “sem dúvida revelam uma exposição crônica que acreditamos poder ser simplesmente atribuída a fatores ambientais, infelizmente não mais facilmente identificáveis, ou hábitos envolvendo alimentação e saúde.”

Um time de 10 cientistas relatou seus resultados em uma recente edição do jornal italiano Il Nuovo Saggiatore (O Novo Experimentador). As amostras de cabelo de Napoleão e sua família vieram do museu Glauco-Lombardi em Parma, na Itália, do Museu Malmaison em Paris e do Museu Napoleônico em Roma.

Os cientistas mediram os níveis de arsênico com grande precisão ao inserir os cabelos em um reator nuclear em Pavia, perto de Milão. A ativação resultante permitiu que o time identificasse elementos de investigação mas não danificaram os cabelos, alguns com mais de dois séculos.

O arsênico é um elemento básico que, em pequenas doses, pode estimular o metabolismo. Em 1870, quando Napoleão era garoto, o arsênico foi lançado como um medicamento da moda.

“No século XIX ele era considerado um remédio popular, um tônico geral e um afrodisíaco,” escreve John Emsley em "Nature's Building Blocks: An A-Z Guide to the Elements" (Oxford, 2002). “Era freqüentemente prescrito por médicos para ajudar na recuperação dos doentes.”

Cientistas dizem que o corpo pode tolerar doses bastante grandes de arsênico se o veneno for ingerido regularmente. Esse parece ser o caso com Napoleão e sua família.

“Todas as pessoas importantes daqueles tempos recebiam contaminação excessiva,” diz Ettore Fiorini, um membro do time da Universidade de Milan-Bicocca. “O arsênico era utilizado em tintas, tapeçaria, medicamentos e até mesmo na conservação da comida.”

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