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quarta-feira, 7 de março de 2012

Portugal: Forte ou Reduto de Olheiros ou Forte do Canudo ou Forte da Boavista – Torres Vedras - Lisboa

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Integrando o sistema defensivo erguido para organizar a defesa de Lisboa após a segunda invasão francesa da Guerra Peninsular, em 1809, o Forte de Olheiros (também conhecido por Forte do Canudo) ergue-se no topo de um dos morros que bordejam o vale de Torres Vedras. O reduto insere-se no projecto de defesa da capital traçado pelo General Wellesley, futuro duque de Wellington, com vista ao reforço das condições naturais de defesa em torno da capital, dificultando e atrasando a entrada das tropas napoleónicas na cidade, flanqueando-lhes as posições em Torres Vedras, e permitindo maior controle da via principal de ligação entre Coimbra e Lisboa. A proximidade do Oceano ainda facilitava a eventual retirada do exército inglês, em caso de derrota militar, bem como a aportagem de novos contingentes britânicos. O conjunto de fortificações então construídas deve ser entendido num contexto político bastante mais abrangente do que o português, cujo território foi utilizado pela França e pela Inglaterra, as duas superpotências de inícios de oitocentos, para disputar a hegemonia europeia. Foram na ocasião levantadas cerca de centena e meia de obras militares, incluindo grandes redutos e pequenos fortins, a par de construções civis adaptadas, trincheiras, obras de hidráulica, e uma rede de estradas. As fortificações pontuam os cumes de maior altitude a norte de Lisboa, entre o Tejo e o Atlântico, e são conhecidas pela designação geral de Linhas de Torres Vedras.
O Forte de Olheiros é fronteiro ao vasto complexo fortificado de São Vicente, considerado o mais importante forte das Linhas. Era a fortificação nº 23, e o ponto mais a norte, da primeira Linha de defesa, entre Alhandra e a Foz do Sisandro. A planta é poligonal irregular, com c. 45 metros de comprimento por c. 19 metros de largura máxima, muito semelhante (apesar da menor dimensão) à do Reduto nº 14, ou Forte Grande do Sobral. Apresenta um fosso bem marcado e profundo, com revestimento de pedra, sobre o qual existe um passadiço dando acesso ao interior do forte. A fortificação é circundada por muralha num perímetro de c.1.500 metros, com escarpa em alvenaria de pedra bem conservada, de 2 metros de altura, e barreira de protecção na entrada (original). Contabilizam-se onze canhoneiras nas cortinas, com plataformas para peças de artilharia pavimentadas por lajetas com pendente, de forma a contrabalançar a reacção do tiro; serviriam 7 canhões ou peças de artilharia, cinco de calibre nove e cinco de calibre seis. Existe ainda um paiol, coberto por laje de betão armado aplicada em data desconhecida. O forte, tal como as restantes fortificações das Linhas, foi desarmado e abandonado em 1818, três anos após a Convenção de Viena.
No recinto encontram-se também duas cisternas, construídas recentemente pela Câmara Municipal de Torres Vedras, que abastecem as imediações.

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terça-feira, 6 de março de 2012

Portugal: Forte de Santo Amaro ou Forte do Areeiro – Oeiras - Lisboa

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O Forte de Santo Amaro do Areeiro, também denominado como Forte de Santo Amaro do rio de Oeiras, Forte Velho ou Forte do Areeiro, localiza-se em posição dominante a Oeste da praia de Santo Amaro, na vila de Oeiras, freguesia de Oeiras e São Julião da Barra, Concelho de Oeiras, Distrito de Lisboa, em Portugal.

História

Este forte foi erguido no contexto da guerra da Restauração da Independência portuguesa, por determinação do Conselho de Guerra de D. João IV (1640-56), com o fim de reforçar a defesa da barra do rio Tejo, coadjuvando a defesa proporcionada pelo Forte de São Julião da Barra.
As obras foram iniciadas em 1647, sob a direcção do Governador das Armas de Cascais, D. António Luís de Meneses, 3º conde de Cantanhede, tendo sido concluídas em 1659. Na ocasião estava guarnecido e artilhado com sete peças de diversos calibres.
Ao se iniciar o século XVIII, um Decreto Régio (30 de Agosto de 1701) nomeou como governador do Forte de Santo Amaro do rio de Oeiras, D. Rodrigo da Costa. Posteriormente foi seu governador o cabo João Pedro Fernandes (1723). Encontrava-se em mau estado de conservação em 1735, sendo imperativa a substituição da porta principal. Na ocasião mantinham-se sete peças de artilharia de ferro em bateria. Mais tarde, em 1751, o estado de deterioração se acentuou, sendo-lhe apontada a ruína. O orçamento estimado para os reparos necessários importava em 900$000 réis à época, tendo posteriormente sido efectuadas obras de conservação e confiada a guarda das suas dependências a um oficial residente.
À época da guerra com a Espanha (1762-1763), no contexto da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), o forte estava sob o governo do alferes do Regimento da Armada, Carlos José da Cunha, estando artilhado com oito peças, das quais uma fora de serviço. Posteriormente sofreu obras de conservação, vindo a ser inspeccionada pelo coronel de engenheiros, Romão José do Rego (1793). Ao final do século, contava com uma guarnição de seis artilheiros e seis peças (1798), tendo sido nomeado como seu governador o sargento-mor do Regimento de Artilharia da Corte, Manuel dos Reis (Decreto Régio de 17 de Dezembro de 1800).
Ao se iniciar o século XIX, a guarnição do forte era constituída, além do seu governador, pelo capitão-ajudante Bartolomeu Agostinho Pereira de Carvalho, um furriel, dois cabos de esquadra e vinte soldados inválidos de pé de castelo (inválidos) (1805). Em 1813, em boas condições de conservação, continuava artilhado com seis peças. Por falecimento do antecessor, foi nomeado como seu governador o major Matias José de Almeida (17 de Novembro de 1820), encontrando-se a sua artilharia reduzida a três peças em 1824. No contexto das Guerras Liberais, o forte encontrava-se artilhado com cinco peças montadas (1831), tendo sido abandonado pelo seu governador (Matias José de Almeida), que se retirou para o norte (1833). Foi nomeado como seu governador o major José Vitorino de Amarante (1836), que até então se encontrava de serviço no Forte de São Lourenço do Bugio. Era governada em 1841 por Luís da Silva Seabra, encontrando-se artilhado ainda com três peças do calibre 24 (1847). Encontravam-se no governo José de Gouveia Lobo Soares (1855) e D. José Maria de Mendonça (1855). Desartilhado (1868), foram seus governadores Joaquim José Esteves (1870) e Francisco Maria Esteves Vaz (1874). Ao se encerrar o século, o forte era habitado apenas por um soldado com a sua família (1896), sendo seu governador António Francisco (1897).
No início do século XX, foram seus governadores Francisco de Carvalho Moreira Júnior (1909) e Frederico Augusto Guerra Soares, nomeado em 21 de Novembro de 1911, cargo, então, apenas simbólico. Durante a Segunda Guerra Mundial residiam nas dependências do forte cinco famílias (1945), computando-se, pouco após o conflito, vinte e sete adultos e diversas crianças (1947). Este número elevava-se a cerca de quarenta indivíduos em 1950, iniciando-se, em seguida, o processo para o seu desalojamento. Em 1953, as instalações do forte foram cedidas à Administração do Porto de Lisboa que, entretanto, jamais as utilizou. No ano seguinte, passaram para o Secretariado-Geral da Defesa Nacional, iniciando-se então grandes obras de conservação e beneficiação. Entre 1961 e 1962 as suas dependências foram utilizadas como residência de veraneio do Ministro do Exército. Após a Revolução dos Cravos (1974), o forte foi utilizado como local de reuniões políticas. Por motivos de segurança de algumas personalidades, procedeu-se a execução de um muramento, cuja demolição se aguardava na actualidade.

Características

    Pequena fortificação marítima de traçado abaluartado, em estilo maneirista. Erguida em alvenaria, sobre o portão principal uma lápide epigráfica encimada pelas armas reais informa a conclusão das suas obras de reedificação com a data de 1659.

Bibliografia

    • CALLIXTO, Carlos Pereira. Fortificações Marítimas do Concelho de Oeiras. Oeiras: Câmara Municipal de Oeiras, 2002.

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segunda-feira, 5 de março de 2012

Portugal: Forte do Bom Sucesso - Lisboa

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O Forte do Bom Sucesso foi edificado em 1780, sob a direcção do General Vallerée, entre as praias de Bom Sucesso e Pedrouços, reforçando a linha defensiva de Belém. Na mesma época foi edificada a residência do governador da fortaleza, no perímetro do baluarte, a expensas da coroa.
Possivelmente, a obra foi concluída nos primeiros anos do século XIX, atendendo-se à inscrição colocada sobre uma das portas de entrada, onde se gravou "[...] A REAL/ CROA PARA PATRIMO/ NIO DA FORTALEZA/ DO BOM ÇOCEÇO/ ANNO DE 1802 ".
Embora esteja muito degradado, o edifício mantém a estrutura de gosto oitocentista. De planta rectangular, possui fachada principal dividida em três panos, marcados por duas pilastras adossadas, dois registos e águas furtadas.
Ao centro, no piso inferior, abre-se um grande arco, que através de um túnel permitia a passagem para a praia do Bom Sucesso, e que actualmente se encontra entaipada. Do seu lado esquerdo foram rasgadas duas janelas de peito, do direito duas portas.
No piso superior abrem-se seis janelas de sacada, duas em cada pano, com varandim de ferro. Ao nível das águas furtadas, existem seis mezzaninos. A fachada posterior é em tudo semelhante à principal.

Forte do Bom Sucesso - Monumento aos Combatentes do Ultramar
O Monumento - Objectivos
Para que se pudesse conceber o Monumento houve que definir objectivos, sendo os mais importantes, os seguintes:
1. Cumprir um acto de justiça, de homenagem àqueles que, como Combatentes, serviram Portugal no ex-Ultramar português;
2. Exercer uma acção cultural e pedagógica de exaltação do amor a Portugal;
3. Traduzir de uma forma simples, mas duradoura e pública, o reconhecimento de Portugal a todos esses combatentes
Local de Construção
Uma vez definidos os objectivos a tomar em conta no projecto do Monumento, houve que escolher o local em que este deveria ser implantado.
Assim, e com a concordância do Exmo. Senhor Ministro da Defesa Nacional, do Estado-Maior do Exército, do IPPAR e da Câmara Municipal de Lisboa, foi decidido construir o Monumento junto ao Forte do Bom Sucesso, tomando em consideração o seguinte:
1. Grande dignidade e tradições ímpares ligadas à nossa epopeia do Ultramar;
2. Fácil acesso ao público;
3. Fácil acesso a altas entidades, nacionais e estrangeiras, para a realização de actos solenes de homenagem à memória dos nossos Combatentes;
4. Espaço adequado para a colocação de forças militares a integrar nas cerimónias de prestação daquelas homenagens;
5. Possibilidade de integrar o Monumento no Forte do Bom Sucesso, constituindo este um complemento do próprio Monumento onde poderão ser instalados órgãos didácticos e de apoio que permitam evocar a acção dos nossos Combatentes ao longo da nossa história e mostrar outros aspectos tais como, toda a monumentalidade da zona em que se situa o Monumento.
Implementação e execução do Monumento
Para o efeito foi constituída uma Comissão Executiva em 1987/07/09, por mérito próprio, pelas Liga dos Combatentes, Sociedade de Geografia de Lisboa, Sociedade História da Independência de Portugal, Associação de Comandos, Associação dos Combatentes do Ultramar, Associação da Força Aérea Portuguesa, Associação dos Especialistas da Força Aérea Portuguesa, Associação dos Deficientes das Forças Armadas.
A presidência da Comissão foi atribuída à Liga dos Combatentes que promoveu todas as diligências, angariação de fundos, projecto, concurso público de adjudicação e execução. A obra foi iniciada em 1993 e inaugurada em 1994/01/15 em acto público presidido por Sua Excelência o Presidente da República.
Os objectivos a contemplar e a escolha do local, tendo em consideração os parâmetros referidos anteriormente, conduziram à solução em presença, que procura traduzir, através de um simples pórtico de grande dimensão o seguinte:
1. Grande pureza formal e simbólica;
2. Grande simplicidade e carácter unitário;
3. A união entre todos os povos envolvidos na guerra do ex-ultramar português, sem constrangimentos nem ressentimentos.
A homenagem a todos que morreram por Portugal, é feita através das lápides colocadas na própria parede do Forte em que, a par das lápides nominativas, elaboradas, segundo as listas oficiais por anos e por ordem alfabética, existem duas lápides com o escudo nacional em que, na primeira, se faz referência a todos os combatentes envolvendo mesmo aqueles que, eventualmente, não constem nominativamente das lápides já referidas e na segunda, lhes é prestada a homenagem de Portugal.
A frieza da geometria do Monumento é quebrada pela "chama da Pátria" que, ao manter-se sempre acesa, simboliza a perenidade de Portugal e a sua continuidade através dos séculos. Todo este conjunto, Monumento propriamente dito, e a sua envolvente, utilizando já as paredes do Forte, constituem um todo, que simboliza a homenagem de Portugal a todos os Combatentes que ao longo da nossa história defenderam os ideais nacionais e a continuidade de Portugal como País independente. …
(Fonte: Liga dos Combatentes)

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domingo, 4 de março de 2012

Portugal: Forte do Alto do Duque - Lisboa

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O Forte do Alto do Duque localiza-se no extremo sudoeste do Parque Florestal de Monsanto, na freguesia de Santa Maria de Belém, no concelho e distrito de Lisboa, em Portugal.

História

A sua construção deu-se entre 1875 e 1890, em terrenos que faziam parte da quinta do Duque do Cadaval.
Integrava a linha de fortificações do Campo Entrincheirado de Lisboa que defendia a barra do rio Tejo na altura de Monsanto, juntamente com o Forte do Bom Sucesso.
No século XX serviu de base a um destacamento militar com o seu nome, criado em 1932. Entrou em combate em 1936, respondendo o fogo da artilharia dos navios portugueses que se revoltaram e tentaram sair do Tejo para apoiar as forças republicanas espanholas, durante a Guerra Civil Espanhola.
A seguir à Revolução dos Cravos serviu de quartel-general ao Copcon - Comando Operacional do Continente. Na década de 1990, instalou-se aí, durante algum tempo, o quartel-general do Comando Operacional das Forças Terrestres.

Características

O forte apresenta planta no formato pentagonal irregular. Encontra-se enterrado, ao nível da cota do terreno, envolvido por um fosso. Compreende edifício da caserna independente. Em seu interior compreende ainda uma construção de planta centralizada, com cisterna de abóbada tornejante.

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sábado, 3 de março de 2012

Portugal: Forte de São Vicente - Torres Vedras

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O Forte de S. Vicente situa-se no cimo de um dos mais altos montes que cercam o vale onde está implantada a cidade de Torres Vedras.
É formado por um interessante conjunto de fossos, trincheiras, traveses e posições de fogo, que se mantém com a disposição do tempo da terceira invasão francesa.
A sua construção iniciou-se em 1809 e fazia parte do que viriam a chamar-se " Linhas de Torres Vedras ".
O principal objectivo deste conjunto arquitectónico militar era a defesa de Lisboa. Pretendia-se criar, sob a proposta de Wellington (que previa uma nova invasão do exercito francês), um sistema de fortificações que reforçasse os obstáculos naturais e ao mesmo tempo permitisse a comunicação com o mar, salvaguardando assim uma possível retirada dos ingleses, em caso de derrota.
A construção das "Linhas de Torres" iniciou-se em Novembro de 1809 com os fortes de S. Julião da Barra, Sobral e Torres Vedras, a que se seguiram as fortificações de Mafra, Montachique, Bucelas e Vialonga.
Quando foram ocupadas, em 1810, tinham apenas 108 fortes, pois não estavam concluídas as obras, o que só veio a acontecer em 1812.

O Forte de S. Vicente era um dos pontos mais fortificados das "Linhas de Torres Vedras", continha 39 bocas de fogo e capacidade para 2.000 homens, e juntamente com o Castelo, que continha 11 bocas de fogo, constituíam os dois redutos da vila, aos quais se juntava uma bateria fechada, próxima do Varatojo.
Seguiam as linhas depois pela margem esquerda do Sizandro ate ao mar. Este rio foi tornado na altura praticamente intransponível, pois a agravar o seu curso já de si pantanoso. foram construídas comportas destinadas a reter a água.
Fonte: Câmara Municipal de Torres Vedras

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Portugal: Forte de São Teodósio ou Forte da Cadaveira – Estoril - Lisboa

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O Forte de São Teodósio, situado na praia de São João do Estoril, fazia parte do conjunto de fortalezas joaninas edificadas entre 1642 e 1648, cuja disposição visava formar uma linha defensiva entre São Julião da Barra e o Cabo da Roca. Segundo indica uma inscrição colocada no portal da fortaleza, a sua construção iniciou-se em Abril de 1642, concluindo-se no ano seguinte.
O seu traçado "(...) obedecia ao esquema-tipo das fortificações costeiras então construídas (...)", apresentando planimetria quadrada, dividida em dois espaços rectangulares, que correspondiam à bateria, com parapeito, e aos alojamentos, sobre o qual se dispunha o terraço. Aqueles dividiam-se em três dependências, sendo a central utilizada como pátio, a partir do qual se acedia aos quartéis e ao paiol, dispostos lateralmente.
A fortaleza era originalmente protegida por uma cortina de trincheiras, e nos finais do século XVII esta linha defensiva foi reforçada com uma cortina exterior. Já no século XVIII foram construídas três guaritas em três dos ângulos do forte .
Embora durante as centúrias seguintes a fortaleza tenha recebido obras de beneficiação, "(...) a construção joanina nunca chegou a ser posta em causa, tendo mantido, sem alterações de vulto, as características estruturais primitivas (...)".
Depois de ter sido desactivado das suas funções militares em 1843, o Forte de São Teodósio foi cedido à Santa Casa da Misericórdia de Cascais, passando posteriormente para a posse de um particular, e voltando à irmandade em 1897. Em 1942, depois da construção da Marginal, o forte seria cedido à Guarda Fiscal, estando entregue a esta instituição até à actualidade.
Texto: C. O. / IPPAR

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Portugal: Forte de São Pedro do Estoril ou Forte da Poça - Lisboa

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Situado na praia da Poça, o Forte de São Pedro fazia parte do conjunto de fortalezas joaninas edificadas entre 1642 e 1648, cuja disposição visava formar uma linha defensiva entre São Julião da Barra e o Cabo da Roca. Segundo indica uma inscrição colocada no portal da fortaleza, a sua construção iniciou-se em Abril de 1642, concluindo-se no ano seguinte.
Actualmente, a estrutura do Forte de São Pedro encontra-se adulterada, mas através da planta executada por Mateus do Couto em 1693, pode ser reconstituída a planimetria original. Na realidade, esta fortaleza apresentava uma disposição em tudo semelhante à fortificação de São Teodósio, embora as dimensões sejam "ligeiramente superiores" .De planimetria rectangular, o corpo principal da fortaleza albergava os alojamentos, dispostos em torno de um pátio, cobertos por um terraço. No espaço contíguo dispunha-se a bateria do forte, de estrutura "rasante, alongada". O conjunto era rodeado por um parapeito exterior de formato irregular, que formava uma primeira barreira defensiva.
Depois da sua desactivação, no século XIX, o Forte de São Pedro passou por diversas tutelas, que em diferentes épocas deram distintas utilizações ao espaço. Em 1954 foi transformado em Casa de Chá, e a partir de 1957 foi arrendado a uma particular, passando a albergar um restaurante, o que levou a "múltiplas transformações e acrescentos" da estrutura. Actualmente, funciona como discoteca.

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Portugal: Fortaleza de Buarcos ou Forte de São Pedro de Buarcos

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A estrutura primitiva da Fortaleza do porto de Buarcos já existia no reinado de D. João I, tendo sido doada pelo monarca ao seu filho D. Pedro. Foi o Infante que mandou acrescentar dois baluartes ao castelo de Buarcos, dotando-o de peças de artilharia.
No ano de 1566 a zona de Figueira e Buarcos foi atacada por corsários, verificando-se que as suas fortalezas não tinham capacidade de defesa das populações, pelo que a Coroa ordenou que se construísse um novo forte.
Esta nova estrutura defensiva foi edificada entre os anos de 1570 e 1602 (Idem, ibidem, p. 63), assinalando-se que nesta última data a povoação de Buarcos sofreu um novo ataque corsário. No ano de 1642, Fernão Gomes de Quadros recebeu ordens para edificar "duas plataformas na fortificação de Buarcos" para que lhe fossem acrescentadas peças de artilharia. A obra iria arrastar-se pela centúria seguinte, estando terminada cerca de 1751.
Na sua estrutura original, a fortaleza possuía três baluartes, dispostos ao longo do perímetro muralhado, que englobava a zona dos quartéis e paiol. Depois das Guerras Liberais, o forte ficava desactivado, e actualmente subsistem as estruturas dos baluartes e da cortina de muralhas que os liga, junto à marginal da praia de Buarcos.
Fortaleza de Buarcos . Foto DGEMN-DSID -2

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Portugal: Forte de São Pedro da Ericeira ou Forte da Ericeira ou Forte de Milreu – Mafra - Lisboa

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O "Forte de Milreu" ergue-se de forma destacada junto à orla marítima, sobre uma pequena enseada localizada a Norte da Ericeira, acompanhando o desnível observado no terreno.
O Forte foi inaugurado em 1675, cinco anos após o início das obras e a inspecção efectuada pelo marechal de campo, Marquês de Fronteira. Passados outros cinco anos, o edifício já se encontrava devidamente apetrechado e gerido por um governador, a quem sucedeu, já em 1706, Francisco de Almeida Carvalho e José de Mendonça, este último em 1735, altura em que o edifício já possuía sete peças de artilharia. Não obstante, volvidos que estavam somente dezasseis anos sobre esta data, o Forte já se apresentava bastante arruinado, em grande parte devido às fortes intempéries que se abateram violentamente sobre a região nesse ano de 1751. Procedeu-se, então, à reconstrução de alguns elementos estruturais, cuja estabilidade foi seriamente agravada pelo terramoto de 1755, razão pela qual se decidiu desmantelá-lo no início do século XIX, até que, entre 1831 e 1832, foi reparado a fim de retomar a sua primitiva funcionalidade, designadamente por parte das tropas miguelistas, em pleno conflito liberal. Entretanto, em meados de oitocentos, o forte foi votado de novo ao abandono, o que terá, de algum modo, suscitado o requerimento endereçado em 1871 ao Ministro da Guerra, no sentido de ser permitida a utilização de algumas das suas lajes no restauro e construção dos anexos da igreja de São Pedro da Ericeira, o que foi prontamente anuído, enquanto, na década de oitenta, se retirou a artilharia remanescente.
O longo processo de abandono a que foi sujeito a partir desta altura ocasionou a sua célere degradação, até que, na década de noventa, a Guarda Fiscal se instalou no Forte e na antiga residência do governador, reutilizada até então como instituição pedagógica do sexo feminino. Não obstante, parte significativa da muralha do Forte acabou por desabar ainda em 1896, o que, de alguma maneira, estipulou o seu abandono definitivo, somente ultrapassado em 1940 com a edificação da muralha subjacente, embora numa situação em que era oficialmente destituído da sua função militar, passando a ser tutelado pelo Ministério das Finanças. E apesar dos projectos desenvolvidos em 1945 pela Junta de Turismo da Ericeira, os quais, entre outros aspectos, contemplavam a adaptação do edifício a miradouro, a instalação de uma casa de chá e o estabelecimento de uma pousada (projectada pelo Arq. António Pinto de Freitas), o Forte foi objecto de conservação apenas na década de oitenta, quando a DGEMN procedeu à reconstrução da muralha e do pavimento do terraço.
De planta rectangular, cobertura em terraço e frontispício com portal de arco plano, este exemplar da arquitectura militar maneirista apresenta-se constituído por uma bateria com canhoneiras (ou bombardeiras) e duas guaritas cilíndricas com cobertura cónica, evidenciando um corpo de configuração paralelepipédica.

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Portugal: Castelo de Chaves, Forte de São Neutel e de São Francisco - Chaves - Vila Real

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CASTELO
Chaves entrou na órbita cristã medieval em finais do século IX, altura em que um enigmático Conde Odoário, ao serviço dos reis asturianos, presuriou a antiga Acquae Flaviae. Esta é uma das escassas referências alti-medievais para o actual território de Trás-os-Montes, depreendendo-se, ainda assim, que a integração da região nos domínios da coroa asturiano-leonesa foi uma preocupação dos monarcas.
Desconhece-se a configuração desse primeiro recinto, mas é de supor que se tratasse de uma estrutura pouco mais que rudimentar, possivelmente uma simples torre quadrangular de escassa altura. Certo é que, nos séculos seguintes, o castelo desempenhou um papel importante na organização e na defesa do reino de Portugal. Em 1093, a vila é incluída no dote de casamento de D. Teresa com o conde D. Henrique. Não consta, todavia, que se tivessem realizado grandes obras durante o século XII, o que pode motivar uma interpretação distinta da importância da localidade nesses primeiros tempos da nossa monarquia, que terá privilegiado a concentração da defesa desta secção em castelos que não Chaves, como o de Montalegre.
O que resta da fortificação medieval foi edificado no período gótico, possivelmente no século XIII. D. Afonso III passou foral à povoação em 1258 e é a este monarca que se atribui o projecto defensivo baixo-medieval. A colocação da torre de menagem junto a um troço da muralha é um forte indicador nesse sentido, conhecendo-se a preferência românica por isolar esta estrutura no centro de um pátio interior e não defendendo activamente os muros. A amplitude do projecto terá determinado algum arrastamento das obras, que continuaram pelo reinado de D. Dinis.
A segunda grande fase de obras do recinto ocorreu já em plena época moderna. No Portugal em guerra com Castela devido à proclamação da independência nacional, Chaves transformou-se na principal praça forte transmontana, recebendo, por isso, um forte reforço da sua estrutura militar. Entre 1658 e 1662 reconstruíram-se as muralhas e deu-se forma ao Revelim da Madalena e ao Forte de São Francisco, dispositivos ligados ao velho castelo medieval e complementados por trincheiras. Nos anos seguintes, e até 1668, o sistema foi reforçado com a construção do Forte de São Neutel.
Perdida a sua importância com o finalizar da guerra, o castelo entrou em decadência, recebendo um amplo processo de restauro já no século XX, a cargo da DGEMN.
Castelo de Chaves - www.monumentos.pt - 2
Castelo de Chaves - www.monumentos.pt - 3
FORTE DE SÃO NEUTEL
O Forte de São Neutel, localiza-se na cidade de Chaves, Freguesia de Madalena, Concelho de Chaves, Distrito de Vila Real, em Portugal.
Complementava, na colina a Norte, a defesa proporcionada pelo Castelo e pelo Forte de São Francisco à cidade de Chaves, na fronteira com a Galiza.

História

As suas obras foram iniciadas no contexto da Guerra da Restauração, entre 1664 e 1668, quando se procedeu à petrificação das estacas do Alto da Trindade e construção do forte, pelo Governador das Armas da Província de Trás-os-Montes, General Andrade e Sousa.
Foi palco do combate, em 1912, entre forças civis, militares e o regime republicano.
No século XX, em 2 de Dezembro de 1926, deliberou-se mandar ultimar as obras da nova cadeia no Forte de São Neutel, para se proceder à transferência dos presos da antiga cadeia.
A fortificação pertencia ao Exército Português e, por essa razão, normalmente se encontrava fechada à visitação. Na década de 1980 fez-se sentir a intervenção do poder público através da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), na forma de diversas obras de beneficiação (1981, 1987). Mais recentemente, em 1994, foi construído um anfiteatro no interior do forte, pela Câmara Municipal de Chaves, onde atualmente se realizam concertos e outras atividades ao ar livre.

Características

O forte apresenta planta quadrangular, orgânica (adaptada ao terreno), com baluartes nos vértices, no estilo Vauban, cercado por um fosso seco e por uma segunda linha defensiva.
O acesso ao forte é feito por uma sólida ponte de pedra, que liga a muralha exterior ao Portão de Armas.
Os muros, de granito, apresentam de um metro a um metro e meio de espessura, com uma altura que varia de sete a dez metros.
No interior, destaca-se a Capela de Nossa Senhora das Brotas, de construção anterior ao forte, cuja Senhora é homenageada anualmente, no Domingo da Pascoela, com uma procissão e festa. Tem um altar único com a imagem de São Neutel, encontrando-se a da Senhora das Brotas (persistência de um antigo culto pagão a Ceres) representada numa pintura suspensa na parede lateral. Atrás da capela, existem pequenas edificações construídas para abrigar os soldados veteranos do antigo Batalhão de Caçadores nº 10.
FORTE DE SÃO FRANCISCO
O Forte de Nossa Senhora do Rosário, melhor conhecido como Forte São Francisco de Chaves, localiza-se na cidade de mesmo nome, Freguesia de Madalena, Concelho de Chaves, Distrito de Vila Real, em Portugal.
Juntamente com o Forte de São Neutel, este forte, em posição dominante na colina da Pedisqueira, vizinho ao rio Tâmega e à antiga ponte romana, destinava-se a defender a cidade, na fronteira da Galiza, à época da Guerra da Restauração.

História

Antecedentes
O forte remonta a um Convento franciscano – o Convento de Nossa Senhora do Rosário -, erguido no início do século XVI, que lhe deu a designação. De acordo com uma escritura celebrada com Frei Rodrigo de Morais em 1446, terá sido o arquiteto Mestre Joanes de Cibrão que projetou a abóbada do Convento.
O Forte de Nossa Senhora do Rosário
No contexto da Guerra da Restauração da independência, reconhecendo-se a importância da posição estratégica da cidade, junto à fronteira, impôs-se a modernização de suas defesas medievais. Visando evitar que as colinas vizinhas fossem ocupadas por baterias de artilharia inimiga, estas posições foram guarnecidas.
Na colina da Pedisqueira, onde existia o antigo Convento franciscano, optou-se por envolvê-lo com muralhas abaluartadas, transformando-o num forte. Os trabalhos desenvolveram-se sob as ordens do Governador das Armas da Província de Trás-os-Montes, D. Rodrigo de Castro, conde de Mesquitela, entre 1658 e 1662. Os trabalhos de defesa de Chaves foram complementados com a construção de novos panos de muralha ligando o forte aos antigos muros medievais, reforçados ou reconstruídos na ocasião, envolvendo-se os bairros que haviam se expandindo extra-muros medievais. A defesa foi estendida à antiga ponte romana sobre o Tâmega, cujo acesso, na margem oposta, também foi fortificado, com a construção do Revelim da Madalena.
No início do século XIX, quando da Guerra Peninsular, Chaves e suas defesas não estavam em condições de defesa. Após diversos embates com as tropas napoleônicas sob o comando do General Soult, as tropas portuguesas, sob o comando do General Francisco Silveira, recuaram para pontos estratégicos, deixando a cidade com uma pequena guarnição sob o comando do Tenente-coronel Pizarro. Estas forças, assim como a de milicianos que enfrentou o inimigo, foi aprisionada e depois libertada. O Forte de São Francisco foi utilizado como quartel-general dos franceses na ocasião, e, nessa qualidade, foi alvo da contra-ofensiva do General Silveira, em Março de 1809. Após seis dias de violentos combates, a guarnição francesa rendeu-se, e Chaves foi libertada.
Posteriormente, foi cenário ainda de lutas quando das Guerras Liberais e, mais tarde ainda, em 1910, quando da Proclamação da República Portuguesa.
Perdida a sua função defensiva, após abrigar por quase setenta anos o 10º Batalhão de Caçadores, as dependências do forte foram abandonadas, entrando em processo de ruína.
Do século XX aos nossos dias
Encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 22 de Março de 1938.
A intervenção do poder público, através da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) registrou-se a partir de 1957, quando lhe foram promovidas obras de conservação. Diversas etapas de consolidação, limpeza, desobstrução, reparação e reconstrução tiveram lugar nas décadas seguintes, até que, a 16 de Janeiro de 1989, o Forte de São Francisco foi cedido, a título precário, à Câmara Municipal de Chaves. Na segunda metade da década de 1970, as dependências do forte serviram como alojamento provisório para famílias retornadas das ex-colônias portuguesas na África.
Em 1994 as dependências do forte foram requalificadas como uma unidade hoteleira, empreendimento promovido Sociedade Forte de S. Francisco, Hoteis, Ldª, com projeto do Arquiteto Pedro Jalles. O Forte de São Francisco Hotel, inaugurado em Maio de 1997, encontra-se classificado com quatro estrelas. Disponibiliza cinquenta e três quartos aos visitantes, bar e restaurante, quadra de tênis, piscina e sauna.

Características

O forte apresenta planta simples no formato estrelado, com quatro baluartes nos vértices, no sistema Vauban. As muralhas, com espessura de um metro, variam entre quatro a vinte metros de altura e são revestidas em granito.
O acesso principal é feito através de um portão no lado Sul, através de uma ponte levadiça sobre o fosso, atualmente aterrado. Existem acessos secundários pelo lado Leste e pelo lado Oeste, todos conduzindo, através de túneis, para a Praça de Armas.
Entre as edificações no interior do forte destaca-se a antiga Capela de São Francisco, que abrigou por três séculos, até 1942, o túmulo de D. Afonso, primeiro duque de Bragança, restaurada e bem preservada.

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Portugal: Forte de S. Lourenço do Bugio- Oeiras - Lisboa

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Antecedentes:
A ideia de uma fortificação para a barra do rio Tejo, com a função de protecção do acesso marítimo à cidade de Lisboa, foi primeiramente apresentada no reinado de D. Sebastião (1568-78) pelo arquitecto Francisco de Holanda, na obra Da fábrica que falece a cidade de Lisboa (Lisboa, 1571), indicando para essa finalidade o areal da Cabeça Seca. O soberano acatou essa sugestão, encarregando, em 1578, D. Manuel de Almada de erguer essa estrutura, com a função estratégica de cruzar fogos com a primitiva Torre de São Gião. Diante da crise sucessória que se instalou com a morte do soberano na batalha de Alcácer-Quibir e diante da possibilidade de uma invasão de Portugal pelas tropas de D. Filipe II de Espanha, optou-se por uma estrutura de campanha de pequenas dimensões, erguida sobre grossa estacaria de madeira, que entulhada com pedras, serviu de alicerce para uma plataforma com algumas peças de artilharia. Rendida pela armada espanhola em 1580, foi posteriormente desarmada. A fragilidade do material, entretanto, aliada à instabilidade do banco de areia e à ação das correntes e das marés, em pouco tempo comprometeu irremediavelmente esta estrutura.
O início das obras: Giovanni Casale
À época da Dinastia Filipina, o rei D. Filipe I (1580-98) determinou ao engenheiro militar e arquitecto italiano frei Giovanni Vicenzo Casale um estudo para melhorar o sistema defensivo da barra de Lisboa (1586), então sob ameaça de corsários ingleses e holandeses. Alguns historiadores atribuem ao Engenheiro-mór de Espanha, o sienense Tibúrcio Spanochi, neste período, o projecto para uma fortificação definitiva na Cabeça Seca. Em Janeiro de 1590 Casale apresentou ao soberano os projetos da fortificação, com duas planimetrias distintas: uma estrelada (atendendo a uma sugestão de André de Prade, na Corte de Madrid) e outra circular. A opção foi por esta última, mais sólida diante da dinâmica das águas e que permitia um melhor posicionamento da artilharia. Nesse mesmo ano expediu-se ordem para se proceder ao desenho das barcas e machinas necessárias para o transporte e lançamento das pedras que serviriam de fundamentos debaixo de água, tarefa concluída em 1593, como reportado por Casale ao soberano.
Mediante o falecimento de Casale em Lisboa, em fins de 1594, foram nomeados para dirigir as obras dois discípulos seus, Tibúrcio Spannochi e Anton Coll, sob a justificativa de que ambos eram conhecedores do modo de fabricar y manejar los instrumentos e para que a traça començada não fosse alterada. Para a preparação dos blocos de pedra utilizada na fundação e nas muralhas, foi erguido um canteiro de obras em terra, próximo a São Julião da Barra (também em obras à época), que ficou conhecido como Feitoria das Obras da Cabeça Seca ou simplesmente Feitoria d'El-Rei, conforme referência de João Vaz, Juiz Ordinário e dos Orfãos do reguengo de A-Par-de-Oeiras (1596). A mesma fonte dá conta de que a cantaria pronta era transportada para as obras do forte por trinta mestres de barcas (ver Bateria da Feitoria).

O desenvolvimento das obras:
Leonardo Torrianni
A partir de 1598 a direção da obra foi assumida pelo engenheiro militar e arquitecto cremonense Leonardo Torriani, nomeado Engenheiro-Mór do Reino, e como encarregado dela, Gaspar Rodrigues. A partir de então o projecto entrou numa nova fase, dadas as alterações que Torriani lhe introduziu, ampliando-a. Entre os problemas vivenciados à época, cita-se uma dúvida sobre o fundo da barra: provavelmente devido a problemas com o transporte das pedras, nos anos de 1607 e de 1608 sucederam-se várias sondagens daquele fundo, por profissionais e práticos, que atestaram que ela permanecia boa e capaz para a entrada das naus da Índia.

A conclusão das obras:
João Torriani
Quando da Restauração da Independência, ainda em obras mas já guarnecida e artilhada, o seu Governador espanhol, João Carrilho Rótulo, rendeu-se às forças do Duque de Bragança (2 de dezembro de 1640). Assumindo o trono como D. João IV (1640-56), por Decreto Real este soberano determinou que as obras fossem concluídas e que um engenheiro português assumisse os trabalhos (1643), conforme placa epigráfica de bronze primitivamente sobre o portão do forte (hoje no pólo museológico da Direcção de Faróis, em Paço de Arcos) que reza:
O muito alto e muito poderoso rei de Portugal D. João IV, de gloriosa memória, mandou fazer esta fortaleza à ordem do conde de Cantanhede, D. António Luís de Menezes, dos seus Conselhos de Estado e [de] Guerra, Veador da Fazenda e Governador das Armas [da Praça] de Cascais, que [a] começou no ano de 1643.
Iniciou-se assim uma nova etapa construtiva, sob a superintendência do conde de Cantanhede (1596-1675), tendo como encarregado o frei João Torriani, coadjuvado por Mateus do Couto, até serem dadas como concluídas em 1657.
No final do século XVII, um Decreto estipulou que esta fortificação passaria a ter comando separado do Forte de São Julião da Barra, ao qual se subordinava (1675).
Forte de São Lourenço do Bugio

O Farol do Bugio:
Em planta datada de 1693 já se encontra figurada uma torre encimada por um farol, estrutura que, à semelhança de uma vela acesa (em francês bougie), teria rendido o nome de bugio à estrutura. O relatório de inspecção efetuada em 1751 ao farol, mostra que o mesmo operava com azeite, no período de Outubro a Março, e que se encontrava em razoáveis condições. Esta estrutura, destruída pelo terramoto de 1755, foi reedificada como um dos seis faróis erguidos na costa portuguesa para auxílio à navegação, conforme determinação de um Alvará do Marquês de Pombal datado de 1758. O novo farol entrou em funcionamento em 1775.
Do século XIX ao XXI:
Quando da eclosão da Guerra Peninsular, foi ocupada pelas tropas napoleônicas (1807) e, posteriormente, durante as Guerras Liberais, foi alvo do fogo da artilharia da esquadra francesa que, sob o comando do almirante Roussin, forçou a barra do Tejo (1831). Datam desta fase alguns projectos de alterações que não chegaram a ser implementados. Ao final do século XIX foi classificada como Praça de Guerra de 2ª Classe, ocasião em que se encontrava artilhada com 18 peças de bronze e 2 obuses (1880).
Ao alvorecer do século XX, entre 1902 e 1903 o capitão de engenheiros Augusto Vieira da Silva, procedeu-lhe reformas na cisterna e iniciou a construção de estruturas para acesso de carga que não chegaram a ser concluídas. Encontrava-se guarnecida por artilheiros ainda em 1911. Nas décadas de 1930 e de 1940 foram procedidos trabalhos de dragagem no seu entorno. Ao término da II Guerra Mundial, sem valor defensivo, foi entregue pelo Ministério da Guerra à Direcção dos Serviços de Faróis do Ministério da Marinha (1945), quando se iniciaria uma nova etapa de sua história, marcada pela sua declaração como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 41.191 de 18 de Julho de 1957.
Severamente danificado pelo tempo e pela erosão das àguas, a partir da década de 1950 sofreu diversas intervenções de consolidação, reparos e conservação sob a responsabilidade da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) e da DSCC (1952, 1954, 1958-63, 1980 e 1982), da APL (1969) e recentemente da DGEMN outra vez (1993, 1995, 1996-2000).
Actualmente é utilizada como farol de apoio à navegação.
Características:
A estrutura, considerada modelo de fortificação renascentista, apresenta planta no formato circular perfeito, em alvenaria de pedra, formato escolhido por Casale que considerou que este permitia uma melhor direção do fogo da artilharia, ao mesmo tempo em que lhe conferia uma maior solidez para resistir à erosão provocada pelas correntes do rio e força das marés. É composta por:
muralha externa com alambor (base circular, com 62 metros de diâmetro por 6 metros de altura), rasgada por porta em arco de asa de cesto;
muralha interna (formato circular, com 33 metros de diâmetro por 7 metros de altura), na qual se inscrevem internamente as dependências de serviço (21 compartimentos). O seu terrapleno é lajeado, com baterias;
torre central (formato circular, com 3 metros de diâmetro por 16 metros de altura), com porta em arco de asa de cesto. No topo da torre se encontra instalado o moderno farol.
As dependências de serviço são constituídas pela Casa de Comando, quartéis, paiol, depósitos, cisterna e Capela. Nesta última, destaca-se um retábulo-mor em estilo maneirista com embrechados de mármore, tendo as paredes e o tecto forrados em madeira pintada.
Curiosidades:
O Forte do Bugio, inspirado no Castel Sant'Angelo em Roma, na Itália, por sua vez serviu de modelo para o Forte de São Marcelo em sítio semelhante, na cidade do Salvador na Bahia de Todos os Santos, Brasil, cuja traça se deve ao Engenheiro-mor Francisco de Frias da Mesquita (desde 1603), em 1622.

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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Portugal: Forte de São Julião da Barra - Lisboa

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A construção da Fortaleza de S. Julião da Barra foi recomendada por D. Manuel I a seu filho D. João num terreno, junto à confluência das barras Norte e Sul que se avistava da ermida de Stº Amaro, onde o Rei ia implorar cura para as suas pernas.
Com efeito, o então denominado Forte da Ponta de S. Gião, por ter sido construído no local onde antes existia uma pequena capela com aquele nome, foi mandado construir por D. João III, não só para cumprimento do desejo de seu pai mas também porque os seus conselheiros militares propunham que a defesa marítima do Porto de Lisboa não se deveria basear no Castelo de S. Jorge e Cerca Moura, mas sim em fortalezas junto à foz do Tejo.
Os planos da fortaleza, cuja construção se teria iniciado em 1553, são atribuídos a Miguel Arruda, que esteve envolvido na construção do Mosteiro da Batalha e também na fortificação de Ceuta.
O forte foi palco de duas rendições: a 13 de Agosto de 1580 entregue aos espanhóis, por entendimento de Tristão Vaz da Veiga com as tropas de Filipe II de Espanha e a 12 de Dezembro de 1640 quando um oficial de Filipe IV de Espanha, D. Fernando de La Cueva, o devolve aos portugueses, sem resistência, em troca de substancial recompensa.


Foi cárcere – militar e politico – desde o domínio dos Filipes até ao reinado de D. Miguel. O General Gomes Freire de Andrade terá sido provavelmente o mais conhecido desses forçados ocupantes, de onde, aliás, só saiu a 18 de Outubro de 1817, para ser enforcado. Em sua memória foi colocada uma lápide e um silhar de azulejos com a sua efígie sobre a porta da torre.
No inicio do século XIX (1807), as tropas francesas, sob o comando do General Junot, invadiram Portugal pela fronteira da Beira, alcançando Lisboa em 30 de Novembro, quando a família real já se encontrava a caminho do Brasil. Junot visitou pelo menos duas vezes a fortaleza durante a ocupação. Em 2 de Setembro de 1808, após a Convenção de Sintra, a bandeira inglesa substituiu a francesa no mastro da Torre de S. Julião da Barra.
O Alvará Pombalino de 1 de Fevereiro de 1758 que criou o Serviço de Faróis, indicava S. Julião como um dos locais para os quais El-Rei ordenava “…que logo se levantem seis competentes pha-roes para guia da navegação das referidas costas e barra (…)”
Apesar deste facto, constata-se que já tinha existido um farol em S. Julião, antes do terramoto de 1755, a julgar pelo que diz o padre Matias Marques Cardoso, prior da freguesia de N.S. da Conceição, numa “Memória” incluída no “Dicionário Geográfico de Portugal” do padre Luís Cardoso, arquivada na Torre do Tombo: “Tem esta fortaleza um farol em cima de uma altíssima torre que se levanta no meio da praça o qual se ascendia de noite para guia das embarcações, do 1º de Outubro até aos fins de Março. O nomeado farol caiu com o terramoto.”
A Torre de S. Julião foi restaurada e acrescentada “em trinta palmos” (seis metros) entrando em funcionamento em 1761 com uma pequena fonte luminosa de uma só chama, alimentada a azeite e protegida por uma lanterna em pedra com vãos para passagem da luz. Em 1775 é instalado um aparelho de candeeiros de Argand com reflectores parabólicos. O farol, em 1848 e 1865, é modernizado, tendo sido nesta última data instalado um aparelho lenticular de Fresnel de 4ª ordem, produzindo luz branca fixa, alimentada a gás destilado de madeira.
A iluminação, em 1885, passou a ser obtida pela incandescência de gás obtido do petróleo. O farol voltou a sofrer novas reparações em 1893 e 1913, sendo-lhe instalado um sinal sonoro de trompa em 1916, mas logo em Março desse ano e até Dezembro de 1918, esteve apagado em virtude da I Grande Guerra.
Por motivo da resolução da Conferência de Balizagem realizada em Lisboa, em 1933, que bania as luzes fixas das balizagens marginando cidades ou povoações importantes, a luz do farol, que era branca fixa, passou a vermelha de ocultações, sendo o mesmo electrificado, por ligação à rede pública de energia e o sinal sonoro substituído por uma sereia electrodinâmica.
O farol, em 1980, com a instalação de um cambiador de lâmpadas e de um grupo gerador de arranque automático, controlados via rádio na Central de Monitorização dos Faróis da Barra de Lisboa, instalada na Direcção de Faróis, ficou automatizado tendo por esse facto deixado de ali prestar serviço pessoal faroleiro. Entretanto, a fortaleza foi desguarnecida militarmente em 1951, sendo actualmente residência oficial do Ministro de Estado e da Defesa Nacional. 

Local: Oeiras
Altura: 24 m
Altitude: 39 m
Luz: Oc Vm 5s
Alcance: 14 M
Óptica: 4ª Ordem 250 mm
Ano: 1775

O Farol de S. Julião sempre teve grande significado para os marinheiros, já que além das suas funções de alumiamento forma, com o seu homónimo do Bugio, um alinhamento que define a entrada/saída da Barra de Lisboa, a denominada passagem entre torres. O momento dessa passagem marca a entrada no mar oceano e a preocupação com o que se terá de enfrentar ou a chegada da missão cumprida e o reconfortante regresso a casa.
Forte de São Julião da Barra
A Torre e o Farol, que mantém a óptica instalada em 1895, são o ex-libris da maior fortaleza marítima situada no porto de Lisboa e uma das mais belas da Europa.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Portugal: Forte de São João das Maias – Oeiras - Lisboa

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Designação
Forte de São João das Maias

Localização
Lisboa, Oeiras, Oeiras e São Julião da Barra

Acesso
EN 6, Avenida Marginal

Enquadramento
Implantado no extremo E. da enseada da Praia de Santo Amaro de Oeiras. Em posição fronteira ao alçado principal, a SE., reconhece-se construção de planta rectangular (edifício da colónia de férias).

Descrição
Planta composta por pentágono irregular e trapézio, volumetria escalonada - marcada pela presença de guaritas de corpo cilindrico ou paralelepipédico e cobertura em cupulim -, cobertura efectuada em terraço. Alçado principal, N., composto por pano de muro tripartido, (dando sobre terreiro murado) abertura a eixo de portal de cantaria, em arco de volta perfeita (sobrepujado por pedra de armas real e inscrição alusiva à fundação), implantado em posição inferior relativamente ao pavimento circundante. Alçado posterior (a S.), dando sobre terraço da bateria e delimitado por muro vasado pelas canhoneiras, ostenta superiormente merlões e na base jorramento. É vasado por arco de volta perfeita a partir do qual se desenvolve corredor de acesso à capela (no extremo N.). INTERIOR: organizado por corredor tranversal, lateralmente ao qual se distribuem os compartimentos (dominantemente de planta rectangular) e que permite o acesso directo à capela. Destaca-se o vestíbulo ou sala de entrada, com lambril azulejar monócromo de padrão ; CAPELA: pequeno compartimento rectangular coberto por abóbada de berço, na qual se reconhece revestimento azulejar monócromo figurativo (Santa Rosalia e São Roque).

Utilização Inicial
Militar: forte

Utilização Actual
 Assistencial: colónia de férias
 
Propriedade
Pública: estatal

Afectação
Serviços Sociais das Forças Armadas 

Época Construção
Séc. 17

Arquitecto | Construtor | Autor
Álvaro de Sousa

Cronologia
1644 - 53 - edificação do forte, pelo capitão de Álvaro de Sousa (conforme refere lápide sobre a porta de entrada, encimada pelas armas reais), segundo ordem do governador da fortaleza de Sao Julião da Barra (D. José de Meneses, membro do Conselho de Guerra), certamente integrado no mais vasto plano de fortificação costeira da barra do Tejo, no seguimento da Restauração, sendo artilhado com 5 bocas de fogo e guarnecido com 20 soldados, 10 artilheiros e um condestável ; 1701 - é nomeado governador do forte o 2º conde de Vila Flor, D. Cristovão Manuel (m. 1704) ; 1728 - era governador do forte o capitão Manuel de Brito Freire ; 1730 - é nomeado governador do forte (por falecimento do anterior) o sargento-mor José da Cruz da Silva ; 1735 - a fortificação encontrava-se em bom estado de conservação mas a sua artilharia resumia-se a 2 peças de bronze, de calibrre 24, montadas e 12 fora de serviço ; 1751 - o estado de conservação do forte não era bom, sendo as obras necessárias orçadas em 1200$000 reis ; 1754 - aplicação de azulejos na capela por iniciativa do governador, Roque Martins Ribeiro ; 1755 - a capela é bastante danificada pelo terramoto, necessitando consequentemente de obras ; 1759 - reabertura da capela ao culto, sendo governador do forte Roque Martins Ribeiro ; 1769 - o forte é dotado com maior poder de fogo, construíndo-se a denominada bateria nova, no exterior do recinto fortificado, a qual ainda se encontrava desartilhada a 18 de Agosto desse ano ; 1793 - campanha de obras de beneficiação, reconstruindo-se a bateria ; 1802 - o forte detinha então 24 bocas de fogo, 12 na bateria nova, 8 na velha e 4 no terraço sobre a casa forte ; 1809 - o forte era ponto terminal E. da denominada linha defensiva de Oeiras ; 1833 - era governador do forte, então com 14 bocas de fogo, o Tenente-Coronel João da Guarda Cabreira (nomeado para tal cargo a 9 de Novembro de 1831) ; 1837 - o forte possuía então 17 bocas de fogo em serviço, sendo pouco depois desartilhado ; 1853 - campanha de obras (registada em lápide como reedificação), sendo governador do forte o major Inácio José Perdigão (e do de São Julião da Barra o general barão da Batalha); 1940 - alguns terrenos pertencentes ao forte foram cedidos à Junta Autónoma das Estradas, com vista à construção da Av. Marginal (por auto assinado a 13 de Janeiro) ; 1963 - no forte funcionava já a Colónia Balnear Infantil da Brigada Naval da Região de Lisboa ; 1976 - cedência formal do forte aos Serviços Sociais das Forças Armadas a fim de servir como colónia de férias.

Tipologia
Arquitectura militar, maneirista. Forte costeiro, de alvenaria, de pequena dimensão, abaluartada com merlões e casa forte, coberta por um eirado, que servia de alojamento à guarnição

Características Particulares
Fortificação integrada na linha defensiva da Barra do Tejo. Armas reais sobre a porta principal e uma inscrição alusiva à sua construção "Alvaro de Sousa o fez em 1644". Capela com silhar de azulejos do séc. 18.

Dados Técnicos
Estrutura autoportante e estrutura mista

Materiais
Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, estuque, ferro forjado, madeira, azulejos (séc. 18)

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Portugal: Forte de São João Baptista da Foz - Foz do Douro - Porto

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O Forte de São João Baptista da Foz, também conhecido como Castelo de São João da Foz, localiza-se na freguesia de Foz do Douro, no concelho e Distrito do Porto, em Portugal.
Ergue-se em posição dominante na barra do rio Douro, guarnecendo o acesso fluvial à cidade do Porto.

História

Iniciado durante o reinado de D. Sebastião (1557-1578), em 1570, sob a supervisão de João Gomes da Silva, diplomata e homem de confiança da Corte, constituía-se em uma simples estrutura abaluartada, envolvendo o hospício (mosteiro) e a igreja dos beneditinos de Santo Tirso (Igreja Velha) antigas estruturas medievais.
O bispo de Viseu, D. Miguel da Silva edificou neste local uma igreja e paço abacial anexo, para os quais recorreu aos projectos do arquitecto Francesco de Cremona recrutado em Itália; conjuntamente com o Farol de São Miguel-o-Anjo (concluído em 1527), que dista do local poucas centenas de metros, resultaram da sua acção mecenática e constituiram a primeira manifestação de arquitectura renascentista no Norte de Portugal (a capela-mor e nave da igreja, com o envolvimento da estrutura abaluartada e o desmonte da cobertura, funcionaram como praça de armas do forte).
Com a Guerra da Restauração da independência impôs-se a remodelação da fortificação. Receando uma invasão espanhola pela fronteira norte do reino, o rei D. João IV (1640-56), em 1642 despachou para a cidade do Porto o novo Engenheiro-mór do Reino, o francês Charles de Lassart. Este teve oportunidade de constatar, in loco, a ineficácia da estrutura seiscentista diante dos meios ofensivos setecentistas, e elaborou-lhe um novo projeto que a ampliava e reforçava. As obras ficaram a cargo do jesuíta João Turriano. Entretanto, problemas suscitados pela fonte dos recursos junto à Câmara Municipal do Porto e problemas pessoais do Tenente-governador da fortificação Pinto de Matos (1643-1645) atrasaram sensívelmente o início das obras.
Com a nomeação de Martim Gonçalves da Câmara, como substituto de Pinto de Matos (Maio de 1646), as obras foram finalmente iniciadas, com a demolição da Igreja Velha no mesmo ano. Tornadas prioritárias diante a invasão do Minho por tropas espanholas, encontravam-se concluídas em 1653. Dois anos mais tarde, era considerada a segunda do Reino, logo após a de São Julião, e a chave dela [cidade do Porto] com a qual não só se [a] assegurava mas toda a Província do Entre-Douro e Minho e a da Beira. Ao final do século XVII, em 1684 estava guarnecida por 22 artilheiros, congregando seis regimentos de Cavalaria e dezoito de Infantaria.
No início do século XIX durante a Guerra Peninsular, a 6 de Junho de 1808, o Sargento-mor Raimundo José Pinheiro ocupou as suas instalações, e, na madrugada seguinte, fez hastear no seu mastro a bandeira das Quinas, primeiro ato de reação portuguesa contra a ocupação napoleônica. A fortificação estaria envolvida poucos anos mais tarde nas Revoltas liberais, tendo protegido, durante o cerco do Porto (1832-1833), o desembarque de suprimentos para a cidade.
Diante da evolução das embarcações e da artilharia, progressivamente perdeu a função defensiva, sendo utilizada como prisão para presos políticos. Entre os nomes ilustres que estiveram detidos nos seus cárceres, relancionam-se os de José de Seabra da Silva (à época do Marquês de Pombal) e os liberais José de Passos Manuel e Duque de Terceira.
No século XX foi residência da poetisa Florbela Espanca, esposa de um dos oficiais da guarnição. Recentemente, na primeira metade da década de 1990, o monumento sofreu intervenção arqueológica sob a responsabilidade do Gabinete de Arqueologia Urbana da Divisão de Museus e Patrimônio Histórico e Artístico da Câmara Municipal do Porto. Atualmente sedia o Instituto da Defesa Nacional.

Características

No século XVII, o projecto de Lassart, embora modificando a orgânica da estrutura, não tocava no essencial da defesa quinhentista. A antiga igreja, inserida na área militar, foi demolida, desaparecendo a parte central da fachada, sendo abertas as torres, removidas as lajes das campas no seu pavimento (reaproveitadas na alvenaria) e apeada a abóbada (a primeira em estilo renascentista do país). Agora a céu aberto, passou a servir como praça de armas, enquanto os seus anexos foram soterrados para consolidar o terrapleno do baluarte leste. Os nichos dos altares laterais foram entaipados por muros de alvenaria de pedra.
A partir da realidade imposta pela irregularidade do terreno e pela fortificação preexistente, a planta da nova estrutura apresenta o formato de um quadrilátero retangular orgânico com três baluartes e um meio baluarte, concentrando o fogo da artilharia pelo lado de terra, dadas as dificuldades naturais de transposição da barra do rio Douro. O único baluarte de traçado regular é o que aponta para a barra; dos dois voltados para o lado de terra, o do leste, é excepcionalmente pontiagudo, terminando num esporão de grande altura, enquanto que do oeste prolonga-se por um espigão destinado a eliminar um ângulo morto, atualmente quase encoberto pelo aterro viário.
O novo portal de acesso ao forte, em estilo neoclássico, foi construído pelo Engenheiro Reinaldo Oudinot (1796), dotado de ponte levadiça, corredor de entrada acasamatado e corpo de guarda tapando a fachada palaciana no lugar de um revelim seiscentista. Esta foi a última obra promovida, embora ainda se encontrasse incompleta em 1827.

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Portugal: Forte de São João Baptista ou Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção - Vila do Conde - Porto

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Desde a Idade Média que a protecção da foz do rio Ave preocupava os governantes de Vila do Conde. Em meados do século XIII a povoação detinha alguma importância como porto de pesca e estaleiro naval, pelo que a defesa da barra do rio face aos ataques de pirataria era fundamental. Foi então edificada uma torre junto à Ermida de Nossa Senhora da Guia, na foz do rio, por ordem do infante Afonso Sanches, filho de D. Dinis.
Embora este fortim se tenha mantido activo até ao século XIX, a sua eficácia na defesa do rio foi-se tornando insuficiente, e por este motivo D. Duarte, 5.º duque de Guimarães e senhor de Vila do Conde, mandou edificar nos finais do século XVI uma fortaleza no mesmo local, cuja traça é atribuída ao engenheiro Filippo Terzi.
A estrutura do forte insere-se na tipologia utilizada na arquitectura militar da época. De planta poligonal, a fortaleza possui cinco baluartes, para os quais teria sido projectado um igual número de guaritas; destas apenas foram edificadas três. Sobre a porta de armas, com moldura em arco de volta perfeita, foi colocado o escudo de armas de Portugal. No interior da praça de armas subsistem ainda as casamatas, diferenciando-se as divisões da casa do governador, a cozinha, o paiol, os restos de uma capela.
As obras de edificação da fortaleza iriam arrastar-se pelo século XVII. D. Teodósio, 7.º duque de Bragança, retomou a construção do forte, designando como responsável pela mesma o engenheiro António de Vila-Lobos. No entanto as obras só seriam concluídas em 1642, quando D. João IV ordenou a conclusão da muralha leste e o reforço da guarnição, face às necessidades de defesa das Guerras de Restauração.
Depois de 1834 o Forte de São João Baptista deixou de ter guarnição, sendo a partir de então utilizado para o registo de entrada e saída de embarcações da barra do Ave. Quase votado ao abandono no século XX, foi recuperado na década de 90 através do aproveitamento do espaço para a edificação de uma unidade hoteleira.

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